Bullying escolar: como descobrir?

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A Damião lhe trancar no banheiro para bater. Julia enfrenta uma reputação de lésbica porque uma menina de 6º ano do ensino fundamental foi divulgado essa mentira de forma gratuita. Carlos, de 11 anos, já não quer ir para a escola e seus resultados acadêmicos baixaram consideravelmente…


Os números são alarmantes: um em cada quatro alunos espanhóis sofre assédio ou violência na sala de aula, de acordo com um estudo realizado sobre 25.000 estudantes de todas as comunidades autônomas. Além dos dados oficiais, há sempre quem sofre em silêncio, que prefere se calar e quem tem medo de se sentir rejeitado.


As diferentes faces do assédio escolar


Detectar o assédio escolar não é fácil, já que, em geral, trata-se de ataques hipócritas, que, muitas vezes, passam despercebidos aos olhos dos adultos. “O bullying acontece à revelia dos diretores das escolas. A vítima pode apresentar uma atitude que, à primeira vista, não delata o assédio que sofre.


O menino se tranca em sua concha”, precisa a doutora em psicopatologia do Centro Hospitalar Universitário Henri Mondor (localizado na cidade de são paulo), Hélène Romano.


Ela é que nos facilita a definição deste fenômeno: “É um processo que pretende fazer dano intencionalmente e se instala no tempo. Pode exercer um indivíduo sobre o outro, ou de forma coletiva, isto é, um grupo sobre outro. O bullying tem caras muito diferentes; assédio moral, físico, material ou sexual”.


Julian recebe insultos relacionados com sua mãe e sua irmã. “Esperam que eu reaja”, confia o jovem de 13 anos. O assédio moral consiste maioritariamente em insultos, ameaças, desqualificações e provocações que podem ridicularizar do tamanho, o peso ou de uma particularidade que é considerado um defeito físico da criança em questão: esse é o caso de Maria, que foi apelidado de “boca de macaco”.


Víctor lhe atestam collejas na nuca durante o recreio. No caso de assédio físico, ocorrem zancadillas, assim… “Não há brigas, mas empurrões, vaias”, detalha a nossa especialista. Durante o recreio, Gabriel lança a correr pelo pátio para fugir de um companheiro que tenta “morderle”.


“Me vai chupar”, solta com olhar zombeteiro Hugo, de 14 anos, Claudia. Após o comentário imita o gesto sexual. Na maioria das vezes, lançam insultos que incluem os órgãos genitais, tanto masculinos como femininos, acompanhados de gestos inconvenientes, como fingir que está tocando a bunda ou o peito… Esse tipo de assédio o exercem os meninos sobre as meninas, mas também pode ocorrer o caso inverso. No entanto, também têm sido os casos em que os meninos ou as meninas exercem entre si. “Pode começar em primária, quando se desenvolvem os primeiros sinais de puberdade”, salienta Hélène Romano.


Nicolás sempre volta para casa com a mala e a mochila quebrados. No caso de assédio material, a criança deixa que os colegas lhe pegar o estojo, agenda… Depois lhe devolvem o material molhado ou quebrado. “Não há que confundir com a chantagem!”, precisa-doutora em psicopatologia.


O assédio também tomou conta das novas tecnologias. Fotos íntimas, comentários e escarnecedores e degradantes circulam pelo celular e pelos muros do Facebook. “Uma nova forma de bullying que, além de violenta, tende a ser ainda mais cruel”, comenta a especialista. E, acima de tudo, desloca o assédio da escola para casa. E, posto que se exerce através do celular e das redes sociais, é constante.


Bullying escolar: consequências dramáticas


Diante de um caso de assédio, as crianças podem reagir de forma bastante diferente. Alguns se lançam atrás e tornam-se mais irritadiças. Outros, no entanto, podem apresentar transtornos depressivos, angústias ou mesmo sofrer de um transtorno obsessivo compulsivo… “Uma criança que sofre bullying pode acumular muitos sintomas, distúrbios do sono, dores nas costas, ansiedade escolar”, detalha a nossa especialista. O assédio quase sempre está associado a uma diminuição significativa do desempenho escolar.


Mas o mais importante é que a vítima se isola. “Um menino perseguido é um bode expiatório, e o grupo é aliada contra ele, ignorando a sua dificuldade em um acordo tácito…”, explica a psicóloga. Às vezes é incapaz de falar positivamente de seus amigos do colégio… Porque não tem. Em seu paroxismo, o assédio pode arrastar para o suicídio. Estes casos de violência diária, além de passar despercebidos, provocam verdadeiras doenças e, além disso, podem desencadear acontecimentos trágicos.


Como agir frente a um caso de bullying?


Em Portugal cada centro educativo dispõe de um Plano de Convivência específico. Este documento tem como objetivo prevenir situações de violência ou agressividade entre os membros da comunidade educativa, para além de fomentar o diálogo como fator favorecedor da prevenção e resolução de conflitos.
O documento apresenta vários métodos para identificar, atender e lutar contra a violência no ambiente escolar. O papel dos pais é fundamental. “O problema é que uma criança que sofre bullying não desabafa com seus pais”, diz a doutora Romano.


Na maioria das vezes, a vítima se envergonha, se sente culpado por tudo que lhe ocorre e tem medo. Os pais devem estar muito atentos para captar os sinais de alerta (principalmente os sintomas mencionados anteriormente). Se, por exemplo, volta para casa sem suas coisas, ou com o material danado, evita puni. Estes costumam ser os sinais do bullying escolar. “Se te assalta a dúvida, não formules a pergunta de boas a primeiras”, diz Hélène Romano.
Fala com ele de forma mais geral: “ouvi dizer que hoje em dia o assédio escolar é muito comum, e eu queria saber se no seu colégio…”. Inclúyele em suas hipóteses. Lembre-se que, antes de tudo, precisa de sua atenção condescendente para poder confiar em você e desvelarte alguma informação.


Uma vez identificado o problema de assédio, é possível agir de formas muito diferentes:



  • Encontre um bom interlocutor

O médico de família ou o pediatra podem ser aliados muito valiosos. “A prioridade é que a criança reconheça o calvário que está vivendo e, assim, poder agir”, insiste a nossa especialista. Alguns estabelecimentos contam com protocolos de ação para as vítimas de assédio. É possível estabelecer uma escolaridade adaptada, sem jantar, com transporte escolar… Na escola, os tutores podem turnarse para pôr travão a este fenômeno…



  • Proponle uma atividade extraescolar

O mais importante é que recupere a confiança em si mesmo, dentro de um “grupo ” saudável”. Diante deste sentimento de subavaliação, precisa que lhe lembrem-se de que tudo o que vale a pena.


 

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