Ao ser escolhido companheiro de chapa de José Serra, o jovem deputado federal Indio da Costa foi muito maltratado pelos adversários e por parte da mídia.

Agüentou calado até que a candidata a presidente da República Dilma Rousseff decidiu mexer com ele dizendo que ele “caiu do céu”.

Indio não gostou e partiu para o contra ataque. Mexeu no baú petista e de lá retirou um assunto que incomoda o PT: sua aproximação com as Farc nos anos 90.

O contra ataque de Indio aumentou a temperatura da campanha.  

Petistas de todos os escalões partiram para cima do vice de Serra classificando-o pejorativamente com todos os adjetivos que encontraram.

Indio foi alçado ao no centro do debate eleitoral, enquanto no colo do PT se acomodou as Farc.

Não fosse a reação desmesurada dos petistas e Indio continuaria marginalizado da campanha.

O auê em torno do contra ataque de Indio acabou oportuno, tanto que José Serra habilmente o aproveitou.

Além de ousado, Indio é um cara de sorte, pois justo agora, o governo da Colômbia decide denunciar a OEA que a Venezuela abriga na fronteira acampamentos das Farc e do ELN.  

A Colômbia levou ao organismo vídeos, e-mails, mapas e fotos que comprovariam a denúncia.

O presidente da Venezuela reagiu, assim como o PT com Indio de forma desproporcional, rompendo relações com a Colômbia.  

O que era em nosso país um bate-boca eleitoral é agora um caso latino-americano.  

Será que Indio da Costa, quando colocou as Farc no centro do debate eleitoral, imaginou que a reação do PT o transformaria em um coadjuvante importante da campanha presidencial?

Claro que não.

O erro petista foi morder a pequena isca lançada por Indio, que até aquele momento era tratado com ironia por Dilma, Lula e dirigentes do PT.

Os petistas desceram do pedestal para bater boca com o vice de Serra. Esse passo em falso deu estatura a Indio para alçar novos vôos.

Chico Bruno é jornalista e consultor político.