segunda-feira - 6 de fevereiro de 2012

Geraldinho Alves: Boa parte da corrupção brasileira nasce no financiamento fraudulento das campanhas eleitorais

Publicado em: 26 de julho de 2010

As eleições brasileiras movimentam muito dinheiro com as campanhas cada vez mais caras e profissionalizadas. Para o eleitor, saber quem financiou a campanha de seu candidato pode ajudar a revelar muito do mandato e da atuação política dele.

Aqui no extremo sul da Bahia, por exemplo, quem vai pagar realmente as contas da campanha de Claudia Oliveira? E a do ex-prefeito Jânio Natal? A de Ailton Tomazelli? A de João Alcides? A de Ronaldo Carletto?

Não pode existir democracia verdadeira, nem voto consciente sem transparência financeira nas eleições. O eleitor precisa saber dos interesses que estão em jogo. Quem financia quem.

FRAUDES NAS PRESTAÇÃO DE CONTAS

Há uma hipocrisia nacional na prestação de contas dos candidatos: o dinheiro que se declara é muitas vezes bem diferente do dinheiro que realmente é gasto nas campanhas.

Uma das fragilidades do processo é que o sistema só permite descobrir quem financiou as campanhas depois das eleições, o que dificulta bastante a fiscalização da sociedade.

EM TEMPO REAL

Se a Justiça Eleitoral quisesse ou os políticos (o que é mais difícil), teríamos via internet uma prestação de contas em tempo real – diariamente – com todos os dados de receita e despesa da campanha.

Mas o sistema está viciado e favorece as fraudes nas prestações de contas dos candidatos e comitês financeiros de coligações e partidos, ao abuso de poder econômico, ao desequilíbrio democrático. Basta ver a declaração de bens, geralmente, a primeira mentira do candidato para o eleitor.  

FINANCIAMENTO PÚBLICO

O financiamento público da campanha seria o caminho mais recomendado para se enfrentar o atual sistema, onde para se eleger um deputado ou uma deputada se gasta uma fortuna, geralmente nunca declarada. E boa parte desse dinheiro sempre sai dos cofres públicos, agora ou depois.

Geraldinho Alves