sexta-feira - 18 de maio de 2012

Bira-Porto: Pescadores são expulsos do Recife de Fora

Publicado em: 9 de fevereiro de 2012

Os pescadores, de Porto Seguro e Coroa Vermelha, foram proibidos de freqüentarem o parque Marinho do Recife de Fora e descarregaram a culpa sobre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que aciona a fiscalização toda vez que um pescador ou índio se aproxima dos corais. Os pescadores são acusados de pesca predatória e danos aos recifes de corais, enquanto a Secretaria permite a visitação de até 400 turistas por dia, o que rende aos cofres públicos a quantia de R$ 4 mil.

O caso fez mobilizar toda a classe pescadora pertencente a Colônia Z22, que envolve pescadores de Porto Seguro e Santa Cruz Cabralia, entre eles, os índios de Coroa Vermelha, Reserva da Jaqueira, Ministério Público, Procuradoria Federal Junto à Funai – Fundação Nacional do Índio -, as Secretarias Municipais; Meio Ambiente e Agricultura e Pesca, que não compareceu e nem mandou representante. Os pescadores alegam que são acusados de causarem danos ao Meio Ambiente, porque pescam apenas para a sobrevivência e não descarregam dinheiro para o município como o turista.

Trata-se de um berçário de polvo e refeitório de peixes migratórios, os quais se alimentam de peixes menores, que se acardumam na época da desova. Os índios alegam que já pescavam na área bem antes da descoberta do Brasil. Mesmo assim são acusados de utilizarem armas proibidas como cilindro de gás, cloro, entre outras substâncias tóxicas para desentocar peixes e mariscos.

O cacique Aruã saiu na defesa dos índios dizendo que seu povo não causa dano ao meio ambiente. O índio não quebra a casa do Polvo para capturá-lo. A toca será sempre usada por outro polvo, geralmente o filho que herda a casa do pai. E ainda, a expectativa de vida do polvo é de apenas dois anos. O polvo reproduz apenas uma vez. Ele morre na defesa dos filhos. Além disso, o índio conhece a Polva ovada.

O Parque Marinho do Recife de Fora foi criado em 1998, quando a visitação e pesca era indiscriminada. De lá eram retirados peixes coloridos para a ornamentação de aquários e corais para artesanato. Há 14 anos de sua criação, estima-se que o poder público tenha arrecadado mais de R$ 20 milhões. Segundo a assessoria do Meio Ambiente, esse dinheiro está guardado no fundo do Parque Marinho do Recife de Fora, e ainda não tem destino certo para a sua aplicação. Quem irá decidir o que fazer com o dinheiro é o Conselho Municipal do Meio Ambiente.

Os pescadores dizem que foram abandonados pelo poder público, onde uma secretaria de Agricultura e Pesca desconhece a realidade da pesca no município e a distribuição do pescado, o que deixa o pescador desamparado.

Bira Porto é jornalista profissional e escreve como colaborador para o Imprensa Livre Bahia.