quarta-feira - 22 de fevereiro de 2012

Crise mundial afeta setor de Celulose no Brasil

Publicado em: 18 de janeiro de 2012

O cenário internacional adverso, seja na Europa, Estados Unidos e até mesmo na China – compradores em potencial do Brasil – se soma aos reflexos na economia nacional com sensível efeito na desaceleração das atividades durante pelo menos o 1º semestre deste ano.

Por isso, o setor projeta um crescimento sustentável na produção, enquanto se preocupa fortemente com a evasão de divisas motivadas pela importação irregular do papel, novas normas para compra de terras por parte de empresas estrangeiras e ainda a variação cambial.

Os grandes grupos mantêm planos de solidificar seus investimentos, enquanto mega projetos continuam, a exemplo da Eldorado Brasil, na região de Sete Lagoas, Selvíria e Anaurilândia (MS), com um orçamento de R$ 4,8 bilhões, absorvendo uma mão de obra estimada em 1.500 trabalhadores no próximo mês de março, devendo chegar a 8.000 e 30.000 entre diretos e indiretos quando pronta a maior fábrica de celulose em linha única do mundo.

Ali serão investidos R$ 1,1 bilhão para plantar 210.000 hectares de florestas de eucaliptos. Com fábricas e florestas no Espírito Santo e Bahia, a Fibria (união da Votorantim Celulose e Papel a Aracruz Celulose) produz 5,2 milhões de toneladas de celulose, sendo a maior do mundo em fibra curta, com 29,3% de participação no mercado.

A Suzano Papel e Celulose concluiu os investimentos de expansão em sua unidade em Mucuri (BA) e desenvolve, dentro do seu Plano 2024, os projetos no Maranhão (2013) e no Piauí (2016, cada um com investimentos de US$ 2,3 bilhões), enquanto a Veracel aguarda para realizar aportes em novos negócios no sul e extremo sul da Bahia.

A Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), entidade que congrega 46 players do mercado, analisou o setor em 2011, mantendo o mesmo nível de 2010 com 6,4% de crescimento nas receitas de exportações. O tom é “enfrentar a crise, buscando aumentar a produtividade das operações”, reforçou Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da entidade ao fazer o balanço anual. Considerou o quadro da economia mundial preocupante, razão pela qual, no curto prazo, as empresas adotarão medidas austeras para contenção do caixa.

Mais uma vez a Europa (46%), seguida da China (25%) e América do Norte (19%) foram os maiores compradores da celulose, cabendo aos países da América Latina (56%), Europa (18%) e América do Norte (10%) maior participação na receita do papel exportado.

Quanto a este produto, mais uma vez a Bracelpa reclama contra a concorrência predatória que chega a um montante de 600.000 tons/ano, burlando, apesar de mais intensa, a fiscalização do Governo.

Elizabeth realça os planos de expansão da base florestal a médio e longo prazos, com as empresas se preparando para investir em tecnologias de plantio ainda mais avançadas, baseadas em estudos genéticos.

A aplicação de novas técnicas de cultivo florestal será essencial para suprir a demanda crescente de alimentos, biocombustíveis, fibras e florestas Food, Fuel, Fiber, Forests – aprimorando sempre o uso da terra, da água, de energia e demais recursos naturais, em busca de uma produção cada vez mais sustentável.

“Por isso, a comunidade internacional precisa avaliar, ampla e conjuntamente, os riscos e oportunidades da utilização da biotecnologia”, diz.

O setor de base florestal, considerando-se somente os estoques de carbono nas áreas de florestas plantadas, estoca aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas de CO2equiva – lente, mais da metade de todas as emissões do Brasil em 2005.

Do site Bahia Negócios.