sexta-feira - 18 de maio de 2012

Ebal: vergonha nacional

Publicado em: 5 de março de 2010

O deputado estadual José Neto (PT) foi o relator da CPI da Ebal, em 2008. Ele confirma o escândalo protagonizado pelos conselheiros da instituição e faz uma revelação: 53 mil documentos foram anexados ao processo entregue ao Ministério Público, que representou contra 14 ex-dirigentes do órgão.

O ônus maior recaiu sobre as costas do então presidente da estatal, Omar Britto, mas eram claros, no entender de Zé Neto, os interesses políticos por detrás (e pela frente, por que não?) da administradora da Cesta do Povo. Britto era o comandante, mas acima dele havia o presidente do Conselho de Administração da empresa, Otto Alencar, hoje no TCM e provável candidato a vice (ou senador) na chapa do governador Jaques Wagner, que respondia diretamente ao então governador Paulo Souto.

Neto lembra das dificuldades para tocar o trabalho da CPI em função das suas peculiaridades, mas espera ver punidos todos os que levaram a Ebal, literalmente, ao fundo do poço, dando-lhe um prejuízo naquele período de R$ 620 milhões.

A roubalheira beira ou ultrapassa R$ 1 bilhão, segundo cálculos otimistas de especialistas da área. Um outro deputado cujo nome não declino por não ter me autorizado a tal, esclareceu que o empresário José Gomes era um dos que repassavam dinheiro para Omar. Fazia parte do esquema também José Milton Gonçalves Correia. Este merece um comentário mais isolado.

Publicação do Diário Oficial do Poder Judiciário de 17 de julho do ano passado dá conta de que foi solicitada a sua prisão preventiva pela juíza Ivone Bessa Ramos. Ele simplesmente não compareceu às audiências.

Sumiu, escafedeu-se, tomou doril. Mas o mais curioso vem agora: em função do desaparecimento de Gonçalves Correia, tem-se a impressão que todos os demais processos foram paralisados na Primeira Vara Crime, onde se encontram. Ou seja, enquanto o homem não colocar a cara na tela nada anda. Objetivamente, apesar de estarmos relembrando ( e vivenciando) talvez o maior desvio de dinheiro público já ocorrido no Estado desde a chegada de Thomé de Souza em 1549 (falo de falcatruas devidamente documentadas, com nomes, sobrenomes e até o número do sapato, calça e cueca dos envolvidos), nada, absolutamente nada se faz para fisgar os criminosos.

POR JÂNIO LOPO, 4/3/10

Este foi o último texto que o jornalista  Jânio Lopo publicou em sua coluna, talvez a coluna política mais lida na Bahia.