sexta-feira - 18 de maio de 2012

Nem tudo é notícia, porque nem tudo é verdade. As versões predominam

Publicado em: 13 de janeiro de 2010

borra de asfalto1

Fazendo uma turnê pelos sites de notícias regionais vejo que os releases das prefeituras predominam. São publicados na íntegra, com a manchete sugerida e tudo. Mangaba para os prefeitos, prejuízo para os internautas. Isso porque a maioria dos releases vem recheada de propaganda de governos, sem a mínima preocupação com o contraditório.

Eu até publico algumas notícias que chegam via releases, mas dou um trato para tirar os excessos naturais. Os assessores cumprem o papel (também já fui assessor ). Mas cabe aos editores depurar antes de publicar. Alguns fazem, outros não.

Hoje (13) me deparei com um desses releases assinados por um dublê de laranja (pirata, quando acaba) e servidor público, versando sobre mais uma promessa eleitoreira do prefeito de Eunápolis.

PREFEITO DE EUNÁPOLIS PROMETE ASFALTAR 150 RUAS

O dito cujo agora diz que vai asfaltar 150 ruas na cidade. A OPF (e seus verdadeiros sócios) – empresa de asfalto que também entende bem de iluminação pública, decoração de ruas e outros babados, e que certamente será contratada para fazer o serviço – agradece o apetite do gestor.

MEMÓRIA CURTA

Mas como a memória do eunapolitano é bem curta, lembro que o Ministério Público Estadual pediu ao CREA para fazer uma medição e constatou desvio de muito dinheiro nas planilhas de obras de asfaltamento pagas pela Prefeitura de Eunápolis. Por isso o ex-secretário Omar Reiner está desaparecido da cidade e do mundo (será que está vivo?).

Lembro ainda que foram pagos serviços de asfaltamento ditos como feitos, mas que quando o Ministério Público Estadual também investigou constatou que muitas das ruas ditas como asfaltadas continuavam no barro (olha Omar de novo).

Agora, segundo o release publicado, vêm aí mais 150 ruas para asfaltar na cidade. Dessa vez interessa ao prefeito jogar asfalto de verdade no barro, os tempos mudaram. Desde que seja o asfalto da OPF, claro.

Mas o povo gosta de sofrer e de pagar a conta.

Geraldinho Alves